quarta-feira, 23 de novembro de 2011

VIDA SEM COR E AMARGO SABOR!

CONSCIÊNCIA NEGRA DO COTIDIANO

Maria levanta de quatro e meia, ébria, põe água pra ferver.
Orgulho da mãe parteira é a única formada de cinco irmãs.
Veste o uniforme, passa o café, acorda a mais nova das cinco que mora com ela e José.
Final do ano quer comprar um carro, fica direto de plantão, e quase dobra seu salário de enfermeira.
Agora é José que levanta apressado, de um gole bebe um copo de café, o porteiro tem que chegar primeiro.
A derradeira, Jacira, é que se arrasta pra levantar, grávida de cinco meses, fugiu da vergonha de ser mãe solteira.
Maria conhece todo povo da condução, de tanto se espremerem todo dia, no mesmo horário. José quando pode dispensa o trem e vai para o trabalho andando, são apenas cinco estações, assim, economiza o trocado do pão.
Jacira, essa coitada, trabalha em salão, desce o morro quase rolando de tão grande a barriga.
Ninguém almoça em casa, e a noite voltam cansados, a primeira é Jacira chega de cinco e meia, bem mais tarde chega Maria, José às vezes nem vem, pois além de porteiro faz entregas.
Maravilhoso mundo sem cor, ainda bem que a escravidão acabou.

                                                            Antônio Carlos

Um comentário:

  1. Como disse Augusto Cury: "Somos sujeitos ao cárcere da emoção, do mau humor, das preocupações com a existência, da tirania do estresse, da ditadura da estética, da paranóia do status social e da competição predatória.
    (Nunca Desista de Seus Sonhos, pag. 102)

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